29 setembro 2014

Imagina


Imagina que te era dada a oportunidade de revelar, de forma cada vez mais profunda, O mundo.
Aprofundando a tua visão e entendimento, com O mesmo.
Que para O poder ver e apreciar em toda a sua beleza, calor e magnificência, terias de aprender a aceitar toda a sua nudez, crueza, frieza e horror.
Que para ver a borboleta, terias também de amar a lagarta.
Que o extraordinário emergia de mergulhar no ordinário, para descobrir-lhe o extra.
Que o joio é tão essencial à manifestação do trigo, como a morte é essencial à manifestação da vida.
E que o caminho para a luz percorria um túnel longo e escuro, em que a luz é um ponto tão distante como uma estrela.
Que a felicidade era tão efémera como a infelicidade e ambas ténues fios de uma teia frágil, no mundo de graça.
Uma graça composta de uma tragi-comédia em que nos rimos das sombras e monstros imaginários, assim como dos seus excepcionais heróis.
Epopeias e lutas imaginárias, representadas de forma real.
Buscas e demandas de um santo graal, tão oculto e acessível como gotas de orvalho.
Imagina que imaginas.
Que o sagrado é a natureza que subjaz no sacrum de todas as coisas.
Que na sua origem "sagrado" significa tanto "santificado" como "amaldiçoado", por reconhecer aquele que se dedica ao divino.
Que "sacrifício" na sua origem significa o "santo ofício", de "fazer sagrado".
Que do ordinário e sagrado... estrume, nasce a extraordinária e divina... flor.
Que da lama brota o Lotus.
Que o amor é incondicional, fragrância na essência de tudo o que é.
Vencedores e perdedores, animado e inanimado, vegetal e animal, vida e morte, no tudo e no nada, subjaz esta essência da qual o amor é o seu perfume eterno.
E pela sua natureza de abundância infinita e sempre pura... não tem preço.
Aprecia este valor inestimável!
E se entendes... sorri.

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